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A ciência e a ética na saúde do solo

 

Apesar da indiscutível importância da Revolução Agrícola para nossa história, ela aconteceu em uma época em que se tinha pouco conhecimento sobre as culturas que passamos a domesticar e o solo onde elas eram cultivadas. E entendíamos ainda menos sobre as interações entre esses dois elementos e como a agricultura iria mudar a relação entre eles.

Mas hoje já falamos em “saúde do solo” nos preocupando em como mantê-la. Ou seja, estamos muito mais conscientes de nossas atitudes diante da natureza, conectados com conceitos de agricultura sustentável e agroecologia, graças a tecnologias que surgiram dos avanços em diferentes áreas da ciência.

Estudar o solo passou a ser o foco de diversas universidades e instituições de pesquisa e ensino ao redor do mundo, evidenciando sua relevância para nossas várias atividades. Entender os diferentes tipos de solo e suas propriedades, como ele se organiza e os papeis essenciais que tem para os ciclos biológicos mostrou um ecossistema riquíssimo que já existia escondido debaixo de nossos pés. E é nele que produzimos 99% dos alimentos que plantamos no mundo. Ou seja, podemos aqui deixar algo muito claro: o solo é um bem precioso da humanidade que merece ser respeitado e preservado.

Com o surgimento de equipamentos e técnicas com maior sensibilidade, a ciência dos solos tem passado por um refinamento. Algumas das novas abordagens de mensuração têm aumentado nossa capacidade de caracterização dos atributos físicos, químicos e mineralógicos do solo de forma contínua, gerando mapas informativos de vastas áreas que podem ser interpretados para que melhores decisões de manejo da produção sejam tomadas. Um exemplo prático envolve conhecer a carga de um determinado solo, e se ela tende a ser mais positiva ou negativa. Considerando que cargas opostas se atraem e cargas iguais se repelem, e que insumos agrícolas também têm carga positiva ou negativa, eles podem ser “sequestrados” por um solo que os atraem demais, comprometendo sua atividade biológica. Dessa forma, algumas características do solo toram-se fator determinante de importantes recomendações agronômicas.

E não poderíamos deixar de lado a biodiversidade que o solo abriga. Animais, plantas e microrganismos – como bactérias, fungos, protozoários e vírus, vivem aos milhares e até milhões mesmo em pequenas parcelas de terra, e têm um papel crucial para a vida prosperar na superfície. Empresas e grupos de pesquisa têm se dedicado a entender mais sobre a biologia desse ecossistema e como ajudar para que organismos aumentem a produtividade agrícola, seja por meio de práticas de conservação ou do uso intencional dessa diversidade como ferramenta. Biofertilizantes e biodefensivos fazem parte de um mercado de produtos biológicos que foi avaliado em US$ 6,75 bi em 2017 e que tem previsão de crescimento de quase 14% ao ano até 2022.

Apesar da agricultura sem solo já existir como um eficiente sistema alternativo de produção, o solo se manterá relevante para agricultura por muito tempo. E o seu potencial está à nossa disposição. Todo o conhecimento que adquirimos ao longo de milênios colocou em nossas mãos o poder de escolha e a correspondente responsabilidade quanto à forma de aproveitamento desse potencial. O futuro de tudo isso depende não só da ciência que gerou esse conhecimento, mas da qualidade das decisões que tomaremos hoje.

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