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Vacinas para plantas?

 

Vacinas são, por definição, produtos que estimulam o sistema imune de um organismo a se defender contra uma doença específica, protegendo-o dela. A primeira vacina que teve um sucesso mais consistente no tratamento de uma doença humana foi introduzida na prática médica em 1796, destinada a combater a varíola. Desde então, muitas outras vacinas foram criadas, e hoje são poderosas aliadas da saúde mundial, ajudando milhões de pessoas em todo o mundo a se prevenirem contra muitas patologias.

Devido à sua grande utilidade, as vacinas passaram a ser também utilizadas na medicina veterinária para se evitar doenças em animais domesticados pelo homem, o que naturalmente representou um impacto positivo para a veterinária, e a pecuária e demais ramos do agronegócio que lidam com animais.

Mas seu uso não se restringiu ao Reino Animal, e o conceito passou a ser aplicado para a proteção de vegetais. Já há alguns anos vimos a evolução de defensivos classificados nesta categoria, feitos para que plantas fossem blindadas contra certas doenças e até insetos – mais especificamente ativando um sistema de defesa chamado RNA de interferência. O start desse processo é feito por meio de moléculas de RNA (uma molécula prima do DNA) que induzem a destruição do material genético do organismo que se quer combater de forma bastante precisa e específica.

Como a biotecnologia permite a alteração específica do código genético de organismos vivos, produtos mais recentes contaram com modificações que inseriram a mensagem genética para a produção das moléculas de RNA nas próprias culturas agrícolas. Assim, plantas geradas por meio desses processos tornaram-se autônomas quanto à produção dessas moléculas – inclusive reduzindo a necessidade de aplicação de defensivos externos, tornando a proteção mais sustentável. O maior desses exemplos no Brasil foi o feijão desenvolvido pela EMBRAPA. Uma determinada variedade dessa cultura, que tem enorme presença no dia a dia do brasileiro, foi modificada de forma a produzir uma molécula de RNA que protege o feijão da infecção pelo vírus do mosaico dourado. Essa cultura GM foi recentemente liberada comercialmente no país e poderá resultar em impactos ambientais e econômicos bastante importantes.

Moléculas biológicas como o RNA são apenas uma das formas de induzir a imunidade em plantas, mas não são a única. Alguns compostos inorgânicos também têm essa capacidade, o que vem sendo explorado por empresas em território nacional, como a Santa Clara Agrociência, que comercializa produtos destinados à nutrição e proteção vegetal. Neste ponto a empresa tem se dedicado a levar ao agricultor produtos com inovações que permitem combinar os dois mundos. Este é o caso de fertilizantes com ação fungicida e bactericida. Por um lado, a fertilização favorece o correto aporte de nutrientes, contribuindo para formar plantas mais fortes durante o período de crescimento e reprodução, bem como fortalecer as paredes das células vegetais – o que aumenta a proteção contra agentes ambientais. Por outro lado, certos princípios ativos servem como defesas de fato, barrando a ação de fungos e bactérias.

Alguns componentes de formulações específicas têm a capacidade de induzir a resistência natural da planta, estimulando um ataque que, sem o estímulo químico, estaria adormecido. Com isso, a resposta a uma potencial invasão pode ser muito mais rápida e intensa, o que leva a um combate mais eficiente. Esses ingredientes ajudam a “limpar” a planta, dados que têm consequências negativas diretas sobre o agente causador, estimulando a resistência preventiva ao mesmo tempo em que combatem a doença.

A lógica por traz do desenvolvimento das “vacinas” para plantas deve ser a mesma que permeia as vacinas para humanos e animais. Cuidados preventivos à saúde são extremamente importantes, dado que nos antecipamos e blindamos o organismo do potencial ataque de um patógeno. No caso das plantas, as combinações com propriedades nutricionais contribuem para que as culturas tenham um desempenho agronômico ainda mais robusto.

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