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Onde está o limite da agricultura?

 

Qual é a capacidade produtiva de um hectare de milho?
A resposta para essa pergunta depende totalmente do momento histórico em que ela é feita. Se você perguntasse isso a um agricultor do início do século XX, ele provavelmente diria “no máximo 2,5 toneladas”, e seguiria afirmando que essa produtividade jamais cresceria muito além dos valores daquela época. Atualmente, a produtividade média por hectare chega a 15 toneladas em algumas propriedades e continua crescendo.
Aquele agricultor do início dos anos 1900 não estava necessariamente errado. Ele pode ter respondido da forma “mais correta possível” para o momento em questão, mas certamente estava limitando-se ao conhecimento daqueles tempos. O trabalho no campo era realmente muito mais difícil, com menos recursos e ferramentas do que a nossa agricultura atual. Com o maquinário agrícola muito mais precário, com menos ferramentas de proteção de cultivo e um menor entendimento geral da biologia de pragas e das próprias culturas de interesse, fica muito mais fácil entender o porquê dessas limitações.
O ser humano, ansioso por mudanças como é, costuma ter dificuldade para entender que transformações significativas costumam levar um bom tempo para acontecer. Vamos pegar o exemplo da Amazon para deixar isso claro. A empresa é hoje o maior negócio do mundo operando na internet, focando em e-commerce, computação em nuvem e inteligência artificial. Por conta da velocidade com a qual tecnologias modernas têm evoluído e devido à fama que a empresa tem conquistado e mantido, muitos acham que ela surgiu da noite para o dia. Entretanto, ela foi fundada 25 anos atrás, em 1994 por Jeff Bezos, em uma época na qual o mundo da internet era bem diferente. Entretanto, Bezos parece ter usado de muito pensamento estratégico e certamente paciência para construir um império com foco no futuro.
No caso da agricultura, o futuro chegou de forma mais gradual. Independentemente da forma, fomos aos poucos dominando técnicas mais sofisticadas de cruzamento convencional e propiciando a geração de culturas mais produtivas e até resistentes a doenças. Na década de 1990, tivemos a primeira onda de culturas geneticamente modificadas que passaram a proteger o potencial produtivo através da tolerância a herbicidas e resistência a insetos. Mais recentemente, a agricultura digital vem se destacando como o próximo grande fator que garantirá um salto produtivo sem precedentes. E nessa nova onda, nossa capacidade de transformar as plantas e as regiões agrícolas em dados e números fez com que uma nova forma de interpretação do campo surgisse. Basicamente, estamos cada vez mais transferindo a agricultura para o mundo digital e trabalhando com dados para dar mais um passo em direção à produtividade agrícola melhorada. 
Do ponto de vista genético, sabemos hoje que o milho tem o potencial de produzir mais de 33 toneladas  por hectare. Mas e amanhã? Não seria esse número mais uma barreira imposta pelo nosso valioso – porém restrito – conhecimento? Se melhoristas, biólogos moleculares e cientistas da computação continuarem unindo-se com o propósito de alcançar uma versão cada vez melhor da agricultura, não há dúvidas de que quebraremos mais essa barreira. 
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