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Agricultura, TIMPs e segurança alimentar

 

Quando foi a última vez que você parou para pensar em segurança alimentar? Parece aquele tipo de assunto importante pelo nome, mas sobre o qual sabemos e discutimos pouco. Isso apesar da relevância que o tema tem para todo o mundo e da sua conexão com agricultura, economia, medicina, saúde pública e outras áreas.

Uma definição adequada de segurança alimentar foi dada no World Food Summit de 1996, realizado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO): ela é “uma situação que existe quando todos os seres humanos têm, a todo o momento, um acesso físico, social e econômico a uma alimentação suficiente, saudável e nutritiva, que lhes permite satisfazer as suas necessidades energéticas e suas preferências alimentares para ter uma vida ativa e saudável”. Notamos como é um assunto complexo e sensível, que lida com inúmeros aspectos da vida moderna e traz a necessidade de junção de muitas especialidades ao longo de toda uma cadeia.

A agricultura e a biotecnologia têm muito o que contribuir para que mais pessoas em todo o mundo possam chegar ao estado de segurança alimentar. Historicamente, o processo de cruzamento convencional tem uma grande importância nisso, assim como as iniciativas do agrônomo americano Norman Borlaug (o “Pai da Revolução Verde”) que fomentaram um aumento de produtividade expressivo na produção agrícola global entre as décadas de 1950 e 1960. Com a biotecnologia moderna crescendo durante as décadas que seguiram, técnicas mais refinadas de manipulação do código genético permitiram a introdução de genes de diferentes espécies em plantas, o que levou à incorporação de características de interesse agronômico e nutricional em diferentes culturas, com a liberação comercial das primeiras variedades destinadas à alimentação humana ocorrendo nos anos 90.

O constante refinamento das pesquisas em biologia molecular e genética, dos procedimentos e maquinários a campo, e da adoção de boas práticas agrícolas passaram a gerar ganhos produtivos ainda maiores e concomitante diminuição dos impactos ao meio ambiente. Nos últimos anos, as Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão (TIMPs) - ou NBTs (New Breeding Techniques) - vêm se destacando como as novas ferramentas que irão sofisticar ainda mais a agricultura e outras ciências da vida.

Até o momento, o representante mais conhecido das TIMPs é o sistema denominado CRISPR-Cas, “emprestado” de bactérias e otimizado para poder atuar como uma ferramenta de edição gênica. Diferentemente das técnicas anteriores, esse sistema permite maior precisão e rapidez das alterações desejadas no DNA de plantas e outros organismos, ao mesmo tempo em que resulta em um processo de menor custo do que técnicas anteriores. Somado a isso, e devido ao processo que resulta no produto final, os custos envolvidos com os estudos de regulamentação para liberação comercial das culturas derivadas de TIMPs são inferiores – permitindo que empresas de menor porte possam explorar este mercado.

Além de CRISPR-Cas, as TIMPs são também compostas por técnicas relativamente menos sofisticadas, como enxertia, agroinfiltração e breeding reverso. Uma grande vantagem delas é o potencial para aplicação em virtualmente todas as culturas agrícolas que têm a capacidade de aumentar a segurança alimentar. Como a baixa produtividade é sabidamente ligada a altas taxas de desnutrição, e devido ao aumento dos ganhos de pequenos agricultores aliviar as condições de pobreza extrema, as TIMPs surgiram como mais uma ponte conectando a agricultura moderna à nutrição da população mundial que está carente de fontes de alimentos disponíveis, acessíveis, utilizáveis e estáveis.

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